EULINA DA SILVEIRA BORISSI
“TIA NINA”

Falar da Tia Nina é falar de carinho, de afeto, de amor, de perdão, de honestidade, de justiça, e de muitas outras tantas qualidades evidenciadas em seu caráter, no percurso de quase um século de vida.
Nascida em 1900, desde a juventude dedicou-se aos seus semelhantes. Além do grupo familiar buscou caminhos diversos que a conduziram a lares desamparados, onde levou a assistência material e a força moral capaz de fortalecê-los e reintegrá-los à sociedade.
As crianças foram sempre alvos de seu carinho e preocupação, procurando evangelizá-las na tentativa de conduzi-las para o caminho do bem, do amor a Deus e ao próximo, contribuindo assim para o embasamento moral e norteamento da vida de centenas de crianças francanas.
Foi incentivadora das atividades musicais e dedicou-se também ao teatro espírita.
Aos seus 14 anos de idade Nina começou a sofrer ataques de inconsciência, sendo considerada epilética. Por volta dos seus 35 anos, o problema intensificou-se. Passou a demonstrar sinais evidentes de obsessão. Recebeu valiosos tratamentos de passe do Sr. José Marques Garcia, o Sr. Antonio Varges e Dr.Tomás Novelino. Por fim, adotou os princípios espíritas para dedicar-se às faculdades mediúnicas e desde então desapareceram os desmaios.
Um sonho a acompanhou durante anos, não tardando muito a tornar-se realidade, diante da sua persistência e abnegação: a criação de uma Casa de Assistência para as crianças oriundas de famílias incapazes de atender às suas necessidades de sobrevivência. Uma luta aberta na tentativa de atenuar a grande desigualdade em nossa sociedade.
Com a ajuda de suas incansáveis companheiras e pessoas da comunidade francana fundou a Sociedade Espírita Legionárias do Bem, que mantém a Casa da Sopa e o Berçário, onde até hoje são atendidas crianças de 0 a 4 anos, em regime de mini hospital.
Consorciou-se aos 42 anos com Francisco Borissi, seu dedicado companheiro nas lidas assistenciais, que a deixaria viúva 13 anos depois.
Tia Nina deu assistência a várias pessoas obsidianas abrigando-as em sua própria casa.
Assim, caminhou sempre buscando entre os mais abastados o suprimento atenuante dos lares em miséria. Em seus 96 anos manteve-se ativa e firme nos ideais. Com seu jeito acolhedor procurava melhorar o atendimento fraterno na Casa Espírita, onde recebia e aconselhava com muito carinho todas as pessoas que a procuravam, ouvindo-as pacientemente.
Criou como filha uma jovem paraplégica, Altina, que desencarnou alguns anos antes dela. Não teve filhos de sangue, mas adotou como seus os filhos dos menos favorecidos.
Retornou à pátria espiritual no entardecer do dia 15 de agosto de 1996, deixando atrás de si um rastro de luz, exemplo marcante de vivência do Evangelho de Jesus.